Sue Ward fala-nos de Astrologia Tradicional

Por Helena Avelar

Sue Ward, uma das mais destacadas especialistas mundiais em Astrologia Horária Tradicional, vai estar em Portugal no próximo dia 9 de Novembro, a convite do Espaço Astrologia, para apresentar um workshop sobre este tema.
Aproveitámos a ocasião para lhe fazer algumas perguntas sobre Astrologia Tradicional, um campo que está actualmente a conhecer um grande ressurgimento.

Considerando os seus estudos e pesquisas em várias áreas da Astrologia, o que a levou a escolher a abordagem tradicional como a sua principal linha de trabalho?

A sua precisão e estrutura. Quando comecei, fiz muitos erros, mas sempre tive consciência de que eram os “meus” erros. Tive sempre a noção de que o sistema em si mesmo era confiável.

Quais são, na sua perspectiva, as principais diferenças entre a Astrologia Tradicional e a Contemporânea?

Existem muitas diferenças, mas a mais importante é que a Astrologia Tradicional tem cerca de 2000 anos de existência, tendo as suas raízes no Egipto, Mesopotâmia, Arábia e Grécia Antiga.
A Astrologia Moderna desenvolveu-se nos últimos cem anos e não faz parte da Tradição Preditiva Ocidental.
Uma das melhores formas de demonstrar as diferenças é a seguinte: a Astrologia Tradicional diz-nos se vamos ou não ganhar a Lotaria, enquanto a Astrologia Moderna nos diz como nos vamos sentir em relação a isso mas não pretende prever essa ocorrência.

Como relaciona a visão psicológica da Astrologia, que enfatiza o crescimento pessoal, com a abordagem tradicional?

Muito depende da nossa definição de “crescimento pessoal". A Astrologia é um “constructo” simbólico concebido para trazer os seus participantes mais perto do Divino, na medida em que nos é permitido conhecer a Vontade Divina.
Nisto está implícita a aspiração humana de crescimento espiritual. Nos tempos modernos, aceitámos um novo tipo de conselheiro espiritual: o psicólogo. A linguagem usada é, obviamente, muito diferente, mas considero que os objectivos estão estreitamente relacionados.
Talvez a questão esteja relacionada com aquilo que por vezes é descrito como a natureza fatalista da predição e, por extensão, da Astrologia Tradicional.
É verdade que muitas vezes nos concentramos em prever eventos da vida, mas os acontecimentos são tão importantes quanto a nossa forma de reagirmos a eles.
Cada um de nós vive através de uma longa série de eventos, começando pelo próprio nascimento.
A importância desses eventos depende da forma como os experimentamos e de onde eles nos conduzem – e este é tanto um processo de crescimento (psicológico e espiritual) como tirar um curso de terapia ou meditação.

Pode explicar, de forma breve, o que é a Astrologia Horária?

É a arte de responder a uma pergunta específica. Isto consegue-se fazendo o mapa para o momento em que o consulente faz a pergunta ao astrólogo.
Aplicamos então um conjunto específico de regras para que possamos responder. As perguntas podem ser sobre qualquer assunto relevante e não é preciso saber a carta natal do consulente. A partir do mapa horário identificam-se os planetas que representam (ou significam) as pessoas e os assuntos relevantes para a pergunta. Depois olha-se para a forma como estes planetas se ligam e se relacionam para deduzir a resposta.
Posso ter dado a ideia de que é fácil. Não é, mas é estimulante.

Qual é para si o principal papel da Astrologia Horária na sociedade actual?

O mesmo que sempre foi: tentar ajudar as pessoas nos seus problemas e dilemas do dia-a-dia. Todos temos dificuldades, mas com a ajuda da Astrologia podemos tentar harmonizar-nos com os eventos e pessoas à nossa volta. Fazendo isso, reduzimos a desarmonia, a convulsão e a aflição. Uma vida equilibrada – não será isso o que cada um de nós procura?

Em sua opinião, como será o desenvolvimento futuro da Astrologia, em especial da Astrologia Horária?

Penso que se está a tornar necessário uma educação rigorosa em Astrologia para os estudantes sérios e empenhado.
Com o trabalho de astrólogos como Robert Zoller torna-se óbvio que todos nós precisamos de desenvolver e encorajar muito mais a erudição na nossa comunidade.
Não me refiro apenas a cursos, estudos e qualificações.
Cada vez mais os estudantes estão a aplicar os métodos académicos ao seu trabalho e isso significa que esperam um bom nível de educação por parte dos seus professores.
Longe vão os dias em que era suficiente dizer que as coisas eram desta ou daquela maneira com base na experiência pessoal ou porque o professor assim tinha aprendido com o seu próprio professor.

A presente dinâmica da Astrologia é a de pesquisar sistemas do passado, estudando-os cuidadosamente, e fazendo-os funcionar no mundo moderno. Muitas coisas importantes foram já redescobertas e será ainda preciso algum tempo para que essas descobertas e inspirações sejam assimiladas e estabelecidas na corrente principal.
No entanto, é nossa responsabilidade investigar, estudar e pesquisar. E quando pensamos que já fizemos o suficiente, temos de estudar e pesquisar ainda mais.

Temos que trabalhar muito para encontrar o ouro, tal como os que vieram antes de nós fizeram.


Sue Ward
Praticante e professora da Arte de Astrologia Horária Tradicional.
Dedica-se há mais de 20 anos aos métodos e técnicas do astrólogo inglês William Lilly.

Estudou na Faculdade de Estudos Astrológicos da Grã-bretanha e com as destacadas astrólogas Kay Way e Olivia Barclay.
A sua pesquisa levou a novas perspectivas das técnicas e métodos de William Lilly, proporcionando-lhe uma melhor compreensão da prática da Astrologia Horária.
Tem vários trabalhos publicados.
Em 2001 criou a Academia de Astrologia Horária Tradicional, cujo principal objectivo é a pesquisa e o ensino, oferecendo cursos básicos e avançados para estudantes.

E-mail: contact@horary-astrology.com

 


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