Reflexões sobre Astrologia

Por Helena Avelar, Lisboa 19-10-1999

A Astrologia é uma linguagem simbólica, direccionada para o auto-conhecimento e para a compreensão da natureza cíclica da existência.

Em qualquer das suas muitas vertentes - Astrologia Natal, Horária, Electiva, Mundial, etc. - o mapa astrológico é a "ferramenta"

essencial para este estudo. Na interpretação de um horóscopo natal, é essencial ter sempre presente que estamos perante a representação simbólica de um ser humano. Ou, por outras palavras, cada mapa representa um todo dinâmico, integrado e funcional, capaz de se "desdobrar" ao longo do tempo, de forma a manifestar sempre novos aspectos do seu potencial.

Não basta, portanto, estar em posse das chamadas "receitas" astrológicas, que fornecem interpretações baseadas na posição dos planetas por signo, casa e aspectos. Apesar de terem alguma validade (especialmente nas fases iniciais de aprendizagem), estas receitas revelam apenas aspectos parciais, reduzidos e, muitas vezes, contraditórios do indivíduo em questão. Esta é a abordagem analítica.

O estudante de Astrologia Natal vai aprender a interpretar de forma integrada, sintética e criativa esse enorme conjunto de dados, tendo sempre em vista de que se trata não apenas de um conjunto abstracto de informações mas da representação de um ser humano, em toda a sua riqueza multidimensional. Ali está representado todo um potencial físico, emotivo, intelectual e espiritual, mas também ali se encontram todas as limitações que impedem a manifestação plena desse potencial.

Ali está representada, para quem a souber interpretar, a verdadeira Dimensão Humana, com o seu potencial de Luz e Sombra.

Nesta perspectiva, compreende-se que o objectivo de uma interpretação astrológica não será o de "acertar" ou de "predizer" o futuro, como se este fosse uma sequência fatalista e pré-determinada de acontecimentos que nos transcendem. Esta abordagem seria necessariamente redutora da própria capacidade humana de aprender, crescer espiritualmente e libertar-se dos condicionamentos passados.

O objectivo será, em vez disso, o de pôr o consulente em contacto com o seu próprio potencial e também com as próprias limitações, relacionando-o ainda com o contexto maior em que está integrado - o Universo em que vivemos.

Assim, em vez de se limitar a prognósticos fatalistas, assustadores e muitas vezes incorrectos, a interpretação astrológica pode "abrir portas", indicar novas possibilidades de acção, apontar caminhos de crescimento interior e dar à Vida um sentido mais abrangente, profundo e espiritual. Pode também revelar a verdadeira dimensão da vida humana que ali está representada, encarando-a não como mero joguete de um destino pré-determinado e cego, mas antes como um caminho, onde existem pontos de "passagem obrigatória", é certo, mas onde a cada momento surgem também novas oportunidades de aprendizagem e crescimento.

O horóscopo natal é o "mapa" desse caminho.

Neste mapa está simbolicamente representado o percurso de vida de um ser humano, na sua verdadeira dimensão: física, emocional e intelectual, mas também espiritual e cósmica. Um ser que tem o potencial do perpétuo crescimento, sempre em direcção a uma maior e mais consciente participação nos ciclos e propósitos do Universo. Ou, por outras palavras, um ser que caminha sempre para a Liberdade, descatando-se progressivamente (por vezes a duras penas) dos condicionalismos mentais e emocionais que o limitam.

Entende-se, assim, que a Astrologia deverá, sempre e em todas as circunstâncias, contribuir para libertar, expandir e aumentar a consciência e a responsabilidade pessoal de cada ser humano. Não deverá, em momento algum, fomentar medos, dependências ou limitações de qualquer espécie.

Por tudo isto, esta arte milenar mantém e continuará a manter a sua dignidade, apesar de, nos últimos tempos, estar a sofrer de uma espécie de "inflação", causada por uma oferta desmesurada (e nem sempre acompanhada por um aumento proporcional de qualidade).

Em resumo: a Astrologia é um conhecimento profundamente enraizado na própria natureza humana e por muitos considerado sagrado.

Importa, portanto, abordá-lo com o respeito que merece.

 


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