ÉPOCAS DE REVOLUÇÃO
O ciclo Marte-Saturno na República Portuguesa

Por Helena Avelar e Luís Ribeiro

Um dos aspectos mais interessantes do mapa do 25 de Abril é a conjunção Marte-Saturno em Caranguejo.
Esta conjunção repete-se a cada 30 anos e corresponde a um importante ciclo da Astrologia Mundana. Trata-se da conjunção dos dois planetas tradicionalmente considerados maléficos – Marte e Saturno – num signo onde ambos se encontram debilitados - Caranguejo - intensificando a tensão por eles representada.

Ao longo do século XX, estas conjunções assinalam momentos de tensão e de viragem da República portuguesa.

A primeira destas conjunções no século XX ocorreu a 11 de Setembro de 1915, numa altura em que o país vivia um momento particularmente conturbado. Nas ruas havia motins e assaltos a armazéns devido à fome generalizada. A nível político a instabilidade atingia grandes proporções, multiplicando-se os atentados, manifestações e revoltas. Foi também nesta altura que Portugal entrou formalmente na Primeira Guerra Mundial.
O mapa da conjunção apresenta o regente do MC, Vénus, bastante debilitado (em queda e combusto). O Sol, regente do Ascendente, opõe-se a Júpiter, regente da VIII, representando as dificuldades do país nessa altura (fome, carências generalizadas e grande número de mortes). A conjunção Marte-Saturno dá-se na Casa XI, debilitando as instituições, governamentais e faz quadratura à Lua, significadora geral do povo.

A segunda conjunção, que começa a 26 de Outubro de 1945, é tripla (1). Estava-se então no rescaldo da Segunda Grande Guerra e os regimes ditatoriais chegavam ao fim em toda a Europa. Em Portugal eclodiam greves e manifestações exigindo o fim da ditadura e a instauração de um regime democrático. Deu-se por esta altura a extinção da antiga politica política e a criação da PIDE.
Neste mapa destaca-se a conjunção Marte-Saturno e Lua na Casa XII, em quadratura ao Sol, que é mais uma vez regente do Ascendente. Esta configuração sugere forte repressão do povo (Sol, regente do Ascendente), por meios ocultos (Casa XII).
Refira-se que o Estado Novo tinha o apoio da Inglaterra e Estados Unidos, pelo que conseguiu manter-se apesar da onda de protestos. Só viria a cair na conjunção seguinte, que ocorreu justamente em 1974.

A terceira conjunção ocorreu cinco dias antes do 25 de Abril, marcando a queda do Estado Novo e a instauração da democracia.Voltamos a encontrar a conjunção na Casa XI, indicando distúrbios nas instituições governamentais. O posicionamento do Nodo Sul na Casa X reforça a ideia de deposição do Governo. Contudo, o regente do Ascendente (mais uma vez o Sol!) forma um sextil exacto à conjunção a partir da Casa IX (onde está em júbilo), sugerindo um certo entendimento entre o povo e as instituições. Esta ideia é reforçada pela presença das duas benéficas, Vénus e Júpiter, muito dignificadas na Casa VII (que aqui indica os opositores, as forças revolucionárias). Esta configuração parece representar bem o carácter “pacífico” da revolução.

A conjunção Marte-Saturno repetiu-se a 12 de Maio de 1976, mais uma vez na Casa XI. O mapa apresenta o Sol na Casa IX (em júbilo) e o próprio regente do Ascendente dignificado. Dá-se por esta altura a aprovação da Constituição e as primeiras eleições livres para a Presidência e Assembleia da República – temas das Casas IX (Leis) e XI (instituições).
Note-se que tanto no mapa de 74 como no de 76 a Lua (significador geral do Povo) está num signo regido por Marte e faz quadratura à referida conjunção, indicando a agitação popular e as incertezas que marcaram aquela época.

No dia 25 de Maio ocorrerá a primeira conjunção Marte-Saturno em Caranguejo deste século de que falaremos no próximo artigo.

 

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