COMO DIVULGAR A ASTROLOGIA?

Por Helena Avelar e Luís Ribeiro

No mês passado falámos sobre a confusão e a falta de qualidade que grassa actualmente o meio astrológico, e frisámos a necessidade urgente de uma campanha de esclarecimento. Passando da teoria à prática, vamos agora sugerir algumas ideias e orientações para uma boa divulgação da Astrologia.
Esta divulgação pode (e deve) ser feita por todos os que gostam de Astrologia e que a estudam com seriedade. Este é, porventura, o maior desafio que hoje se coloca aos que compreendem a dimensão mais transcendente da Astrologia, e que sofrem com a vulgarização a que tem sido sujeita.
Note-se que este esclarecimento é tarefa não apenas dos professores e astrólogos, mas também dos próprios estudantes, desde os principiantes aos mais avançados.

Aqui ficam as nossas sugestões para uma divulgação correcta, acessível e interessante:

Ter um bom conhecimento do tema. O melhor serviço que se pode prestar à Astrologia é entendê-la e divulgá-la no contexto correcto. Quem estuda Astrologia com profundidade cedo compreende que se trata de um estudo para toda a vida.

Começar por esclarecer mal-entendidos. A única “astrologia” que a maioria das pessoas conhece é aquela que aparece nas revistas e nos programas televisivos de divulgação popular.

Para o grande público, a Astrologia consiste na descrição de características de personalidade e nas “previsões” associadas aos signos solares.

Nalguns casos, ainda mais graves, chama-se “astrologia” a uma mistura malsã de conhecimentos esotéricos rudimentares com crendices e bruxarias.

Quem estuda Astrologia seriamente sabe que isto é uma triste desvirtuação da essência e do propósito desde conhecimento. O que se divulga actualmente é uma versão deturpada, inútil e até degradante do conhecimento astrológico.

Contudo, esta é a imagem mais divulgada e, por causa dela, a maior parte das pessoas desconhece a dimensão séria e profunda da Astrologia.

Perante a desinformação generalizada, é natural que a reacção do grande público seja de rejeição e escárnio. A maioria das pessoas julga que lhes estão a pedir que “acredite” num triste desfilar de crendices. Nestes casos, há que entender que a rejeição é muito natural. Note-se que os próprios astrólogos profissionais rejeitam tamanhas enormidades e jamais fazem este tipo de divulgação.

A melhor divulgação é esclarecer que o conhecimento astrológico vai muito além das fórmulas simplistas actualmente tão divulgadas nos meios de comunicação e que aquilo que os media divulgam nada tem a ver com o estudo sério da Astrologia.

Há que deixar bem clara a diferença entre acreditar e compreender.

É fundamental que se entenda que a Astrologia não se baseia na fé cega nem na crença indiscriminada, mas sim no estudo, na interiorização e na compreensão profunda dos seus princípios. Mesmo quando queremos explicar a dimensão transcendente da Astrologia, importa deixar bem claros os seus princípios básicos.

Explicar de forma clara e simples os fundamentos da Astrologia. Dar exemplos práticos que possam ser facilmente reconhecíveis: o mapa natal como símbolo da dinâmica pessoal, o mapa de um evento como indicador das prespectivas e direccionamento a seguir, etc.

A forma mais simples de explicar a base do pensamento astrológico a um leigo será a de realçar a correspondência entre os movimentos celestes e os ciclos terrestres. Há que ter consciência de que nem tudo pode ser explicado em poucas palavras. As bases filosóficas e metafísicas da Astrologia exigem um estudo profundo e empenhado, que dura uma vida inteira. Só assim se pode abordar de forma válida este imenso campo de Conhecimento.

Evitar argumentos pouco claros ou impossíveis de demonstrar. A ideia é diminuir a confusão e não aumentá-la. Evitar dar explicações “transcendentes” a pessoas que desconheçam o tema. A dimensão trascendente da Astrologia não deve ser apresentada aos leigos despreparados, pois numa primeira fase apenas aumenta a confusão.

Evitar misturas de disciplinas. A Astrologia deve ser explicada no seu próprio contexto. Não deve ser confundida com outras disciplinas de carácter esotérico como o Tarot, a Numerologia ou a Quirologia, por exemplo. Apesar de existir uma ligação entre todas estas áreas do conhecimento, há que evitar as misturas indevidas, que só geram confusão. Sobretudo, é de fugir da tentação de usar conhecimentos de outras áreas para “disfarçar” alguma falta de conhecimento astrológico.

Não insistir em falar de Astrologia a quem não estiver interessado. Há uma grande diferença em prestar um esclarecimento e “doutrinar”. A Astrologia é um conhecimento de carácter simbólico. Não é uma religião nem uma crença, não precisa de “pregadores” nem de fanáticos impositivos. Refira-se que os "crentes" mal-informados são extremamente prejudiciais para a Astrologia, pois propagam a desinformação e um indesejável “espírito de seita”.

Não é preciso “provar” a todo o custo que a Astrologia “funciona”. Algumas das piores explicações são feitas por pessoas que tentam “provar” à força a validade da Astrologia.

Não entrar em discussões fúteis. Há pessoas que, mesmo sem conhecimento de causa, gostam de atacar o que não conhecem. É importante compreender que algumas pessoas são simplesmente incapazes de compreender conceitos que não sejam fisicamente demonstráveis. Se for este o caso, não vale a pena insistir. Trata-se de uma dificuldade dessas pessoas e não de um problema da Astrologia.

Note-se que a Astrologia não “precisa” de ser aceite por toda a gente para que fique provada a sua validade. Precisa, isso sim, de ser correctamente divulgada, por estudantes e astrólogos que a compreendam devidamente.

Finalmente, há que saber aceitar que algumas pessoas não gostam, não compreendem e não se interessam por Astrologia. É um direito que lhes assiste, pelo que não têm de ser pressionadas para gostar do tema.

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