O Regime Taliban - uma análise astrológica

Por Helena Avelar e Luis Ribeiro

O Afeganistão e os Taliban são o principal foco das atenções do planeta neste momento. O seu regime de fanatismo chocou o Mundo Ocidental, que não achava possível tal acontecer em pleno sec. XXI.

A análise astrológica dos acontecimentos poderá ajudar-nos a compreender as principais motivações deste regime.

Os Taliban subiram ao poder na madrugada de 27 de Setembro de 1996. Ninguém no mundo ocidental poderá afirmar com total certeza que esta noite foi escolhida com base em conhecimentos astrológicos. Existem, no entanto, interessantes correlações astrológicas ligadas a este momento.

A subida ao poder

Numa perspectiva global, podemos considerar o movimento Taliban como um dos primeiros "sintomas" do ingresso de Plutão em Sagitário em 1995/96. O fanatismo e a militância religiosa indicados por esta posição planetária estão bem representados neste regime. No entanto, este facto não basta para uma análise mais cuidada.

Não existe nenhuma referência conhecida ao nascimento deste movimento. Sabe-se apenas que terão surgido em 1994, como resultado da confusão interna no Afeganistão. Não dispomos, portanto, do "mapa natal" da formação deste grupo islâmico.

À falta desse mapa, podemos debruçar-nos sobre o mapa do momento da subida ao poder dos Taliban. Esta ocorreu quando passaram a controlar Kabul e se estabeleceram como a principal força militar e política no Afeganistão.

Segundo os relatos noticiosos da época, a ocupação de Kabul terá começado cerca de 1 hora da manhã do dia 27 de Setembro de 1996, com a tomada do palácio presidencial. A conquista ficou finalmente assegurada duas horas mais tarde, pouco depois das 3 da manhã. Este parece, aliás, ser o momento mais marcante do processo.


Tomada do Poder pelos Taliban - 27-09-1996, 03:00 LT Kabul
Fonte: Notícias em jornais da época.


Uma lua eclipsada...

Logo numa primeira abordagem, salta à vista um aspecto particularmente impressionante: os Talibans tomaram Kabul numa noite de eclipse.

Desde a Antiguidade que os eclipses têm estados associados a grandes mudanças, especialmente guerras e conquistas.

Este eclipse lunar deu-se no eixo Carneiro-Balança: o Sol estava no início do signo de Balança conjunto ao Nodo Norte, opondo-se à Lua, que por sua vez está conjunta a Saturno e ao Nodo Sul, no início do Carneiro.

Em termos de Astrologia Mundana, isto pode representar uma oposição entre a identidade do regime Taliban (representada pelo Sol) e o povo e as instituições do país (Lua e Saturno, respectivamente). Recorde-se que os Taliban anularam em pouco tempo as estruturas sociais e governamentais do país, na tentativa de reformulá-las segundo um critério religioso. As novas estruturas formadas ganharam uma natureza bélica (Saturno em Carneiro). O povo (representado pela Lua) é literalmente "eclipsado" pelos interesses do regime, ficando oprimido pelas instituições criadas (Saturno).

Se tomarmos a Lua como símbolo do Feminino, o simbolismo torna-se por demais óbvio - basta olhar a imagem da mulher afegã: obscurecida, limitada e escondida... Para os Taliban, a mulher é sentida como algo temível e que, por isso, deve ser rigidamente controlado (Lua conjunta a Saturno).

A oposição Sol-Lua cai no eixo 2-8, activando fortemente os tema de poder e controlo. Reflexo disto é a incapacidade de lidar tanto com os valores e recursos próprios como com os recursos vindos do exterior. Isto é vivido tanto a nível económico (problemas de gestão interna) como a nível ideológico (intolerância perante outras crenças).

Júpiter em Capricórnio na Casa 5 forma uma Cruz em T com a oposição Carneiro-Balança. Esta configuração vem aumentar a tendência à expressão rígida de valores.

Poder e secretismo

Outro importante factor de tensão é a presença de Plutão na Casa IV, conjunto ao Fundo do Céu (FC), indicando novamente uma base de poder e opressão de carácter ideológico/religioso.

O regente do Fundo do Céu, Marte, está na Casa 12 conferindo um carácter de secretismo e nebolusidade ao poder dos Taliban. Isto é ainda reforçado pelo facto de Vénus, regente do Meio-do-Céu (MC) estar também na Casa 12. Representando o Meio-do-Céu a imagem pública, e a Casa 12 “coisas escondidas”, vemos espelhada neste mapa a política secretista seguida pelo regime Taliban. Basta dizer que não existem imagens do líder Taliban...

A presença de Marte e Vénus na Casa 12 é, de resto, um factor determinante neste mapa: para além do Eixo MC-FC, regem também o Eixo 3-9, os nodos, Saturno e os próprios luminares. Esta configuração sugere a existência de factores obscuros, inconscientes nas crenças e ideiais do regime, na identidade e nas motivações mais profundas.

À primeira vista, esta atitude parece contrastar com o Ascendente Leão, que poderia sugerir uma abordagem mais directa. No entanto, se verificarmos que o signo de Leão abre também a Casa 12, compreendemos que a identidade é remetida para um plano mais subjectivo e secreto. O próprio Sol do mapa está em Balança, que é o signo da sua queda.

O ciclo Júpiter-Saturno

Outro aspecto importante deste mapa é a quadratura minguante entre Júpiter em Capricórnio e Saturno em Carneiro. O ciclo de conjunções entre estes dois planetas é sempre indicador de fortes mudanças políticas e sociais.

O Afeganistão, aliás, parece ser bastante sensível aos ciclos Júpiter-Saturno. A conjunção destes planetas em Balança, em 1981, corresponde ao período da ocupação russa. A quadratura crescente (1986) marca a retirada das tropas russas do país. Durante a oposição (90/91), o país é marcado por fortes lutas internas e na quadratura minguante (95/96) passa a ser controlado pelos Taliban.

Por volta de 2000, altura da última conjunção Júpiter-Saturno, as Nações Unidas aumentaram as sanções económicas, em resposta aos extremar de posições do regime Taliban – sucessivos atropelos aos Direitos Humanos, rejeição do plano de paz do rei Zaher Shah e actos de vandalismo (como a recente destruição das estátuas budistas gigantes de Bamyan).

Os signos cardinais parecem ter especial importância na dinâmica astrológica destes eventos. Por exemplo, no mapa da tomada de Kabul pelos Taliban, o Sol estava a 4 graus de Balança e Saturno a 3 de Carneiro. Estes planetas activavam a conjunção Júpiter-Saturno de 1981, que ocorreu no grau 4 de Balança!

Outros mapas ligados ao Afeganistão confirmam também esta tendência.

Astro*Carto*Grafia

A perspectiva da Astro*Carto*Grafia, vem acrescentar algumas indicações interessantes.


Tomada do Poder pelos Taliban – mapa Astrocartográfico

Ao projectarmos o mapa da tomada de poder em espaço local (ou seja segundo os eixos N-S/E-W) verificamos que a linha de Plutão (que se destaca das restantes) cruza a Rússia e os Estados Unidos.

Quando projectamos o mapa no globo terrestre, também a linha de culminação de Plutão passa pelos Estados Unidos.

A linha de ascenção de Marte e a linha de culminação da conjunção Lua-Saturno cruzam igualmente o território americano. Esta última passa muito perto de Washington.

Todos estes factores indicam um certo conflito e rigidez na relação entre os dois governos. Há como que uma mistura de fascínio, medo e ódio (Plutão-Lua-Saturno) que está na base de toda a hostilidade projectada na cultura americana.


Tomada do Poder pelos Taliban – mapa Astrocartográfico em espaço local (Local Space)


As Estrelas Fixas

No mapa da tomada de Kabul existe ainda um outro aspecto importante: tanto o Ascendente do mapa como o Meio do Céu estão conjuntos a estrelas fixas de grande carga simbólica.

A importância destas conjunções prende-se com a própria tradição astrológica árabe. Com efeito, os chefes militares, aconselhados por astrólogos, pautavam as suas conquistas pela ascenção ou culminação de determinadas estrelas.

No mapa da tomada de Kabul, o Ascendente está conjunto a Regulus e o Meio do Céu conjunto a Algol – ambas as estrelas estão ligadas à tradição bélica.

Vejamos então que representam:

Regulus no Ascendente - O nome Regulus significa “pequeno rei” em Latim. Os astrólogos árabes chamavam a esta estrela "colb-al-asit"(coração do Leão) ou “maliky” (rei).

A tradição diz que, se a estrela estiver no Ascendente, indica honra e prosperidade, mas esta situação pode rapidamente degenerar em violência, confrontos e escândalo. A razão desta súbita mudança pode ser encontrada no próprio simbolismo da estrela: Regulus está ligada ao mítico rei persa Feridum, que viria a perder o seu reino por se ter envolvido numa vingança.

Algol no Meio do Céu - Desde sempre que esta estrela foi considerada como "a mais funesta de todas". Os astrólogos árabes da Antiguidade chamavam-lhe "ras-al-Ghul"(a cabeça do Demónio). Os gregos viam nela a terrível cabeça decapitada da Medusa, capaz de transformar em pedra quem a olhasse.

Quando se encontra no Meio do Céu, traz a público os temas da brutalidade, sedição, acção extremista, revolta e violência das multidões (especialmente decapitações e enforcamentos). Escusado será recordar que o regime taliban tem sido marcado por execuções públicas e por muito derramamento de sangue...

Uma antiga tradição diz que os chefes militares árabes esperavam que Algol estivesse bem visível no céu para avançarem com acções bélicas. Nenhuma batalha importante era iniciada se a luz de Algol estivesse fraca. É interessante notar que, na noite da tomada de poder, a estrela Algol estava bem alta no céu...


É interessante como a análise astrológica de uma revolução política pode espelhar toda a dinâmica a ela associada. Neste caso, a tomada de posse de Kabul dá-nos várias pistas sobre as motivações e estruturas do governo Taliban.

O facto de o golpe Taliban ter ocorrido numa noite de eclipse e quando se encontravam duas estrelas fixas nos ângulos dá que pensar. Não podemos afirmar que a data e a gora foram escolhidos com base em conhecimentos astrológicos. Existe, no entanto, uma inegável sincronia entre os acontecimentos posíticos e os celestes.

O estudo de outros mapas importantes na História do Afeganistão - em especial a independência do país e a invasão soviética - oferece também interessantes exemplos de sincronia entre as dinâmicas astrológicas e os movimentos políticos deste país.

Lisboa, Novembro 2001


Este artigo foi originalmente publicado pelo Jornal Urânia: http://www.uol.com.br/folha/urania/

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