O Verão de Marte

Por Helena Avelar e Luís Ribeiro

O Verão deste ano foi marcado por uma das mais terríveis ondas de incêndios de que há memória. Grande parte das matas do país foram devastadas pelas chamas, com enormes prejuízos para a Agricultura e Economia, a que se somaram terríveis perdas pessoais e danos ecológicos.

Muitos já associaram a proximidade de Marte ao planeta Terra com estes surtos de calor e incêndios. No entanto, nem sempre esta associação foi bem explicada, pecando por excessiva generalidade e imprecisão.
Recordamos que a interpretação astrológica tem por base o posicionamento zodiacal e o movimento dos planetas e não a sua proximidade ou afastamento. A distância de um planeta à Terra é um dado astronómico (que poderá até conter algum significado simbólico), mas que não serve de base exclusiva para interpretações astrológicas.

Vejamos então o que se pode deduzir, num breve estudo, deste momento astrológico.
Sempre que Marte está próximo da Terra passa por um período de movimento retrógrado aparente, que tradicionalmente é encarado como problemático.

No Verão passado Marte fez o seu movimento retrógrado entre os graus 0 e 10 do signo de Peixes. É por demais conhecida a associação deste signo ao território português – logo, seria de supor que uma retrogradação em Peixes pudesse representar situações difíceis para Portugal.

Marte é por natureza um planeta quente e seco, estando a sua simbologia associada ao Fogo.
Se estudarmos o mapa do início da retrogradação para Lisboa (a capital portuguesa) verificamos que há uma impressionante concentração de planetas no signo de Leão: a Lua Nova (Sol e Lua conjuntos), Mercúrio, Vénus, Júpiter e o próprio Ascendente estão neste signo.
Como sabemos, Leão está associado ao Fogo e ao pico do Verão, sendo, de todos os signos, o que melhor caracteriza a natureza quente e seca do Fogo.

Curiosamente a retrogradação iniciou-se numa terça-feira, dia de Marte e numa hora do Sol, outro planeta quente e seco.

Todos estes planetas em Leão estão também posicionados na Casa XII, sugerindo acções escondidas, perdas e calamidades. Aliás, as casas mais destacadas deste mapa são justamente a VII e a XII, que significam respectivamente os inimigos declarados e os inimigos secretos. Note-se que embora os nomes dos incendiários não sejam conhecidos, é do conhecimento público que se tratou de fogo posto.

Por outro lado, o mapa tem dois ângulos conjuntos a poderosas estrelas fixas: Regulus no Ascendente, que em Astrologia Mundana pode indicar violência e destruição e Algol no MC, sugerindo desgraças e perdas.

Neste mapa Marte (o nosso principal “suspeito”…) está posicionado na Casa VII, dos inimigos e opositores. Marte rege o FC, que significa território, indicando que muitos dos problemas do território provém de acções subversivas (Marte retrógrado num signo de Água) provocadas por oponentes (Casa VII). Note-se que o FC está em Escorpião conjunto ao Nodo Sul, um indicador tradicional de perda e diminuição, o que vem reforçar este quadro negativo.

Durante todo o período dos fogos Marte foi activado pela conjunção com Urano e ainda pela oposição de vários planetas no início de Virgem. A passagem da Lua através dos signos foi também muito importante, especialmente quando formou aspectos tensos. Aliás, os fogos (e o calor) foram reactivados, depois de um período de aparente acalmia, quando a Lua transitou pelo signo de Peixes e fez conjunção a Marte.



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