A Queda do Governo
algumas considerações astrológicas

Por Luís Ribeiro

Quando ultimávamos este boletim recebemos a notícia da dissolução da Assembleia pelo Presidente da República. Decidimos por isso incluir um breve estudo astrológico sobre a crise governamental que vivemos desde Maio de 2004.

O Clima de Crise

Tal como referimos em artigos anteriores, o Governo apresentou sempre uma imagem fraca nos ingressos de 2004, representado por Saturno debilitado em Caranguejo.
Paralelamente, a conjunção Marte-Saturno (também em Caranguejo), de Maio passado antecipava algum tipo de crise política. Esta conjunção coincide com momentos de crise política da História de Portugal, activando pontos-chave nos mapas políticos portugueses (como referimos noutros artigos).

A presente fase de crise iniciou-se em meados de Junho, com a notícia do convite do então primeiro-ministro, Durão Barroso, para a presidência da Comissão Europeia.
Nesta altura, Saturno fazia por trânsito uma quadratura ao MC (Governo) do mapa do 25 de Abril e o Sol cruzava o MC do horóscopo de S. Mamede.

O ingresso correspondente (Caranguejo) tem Saturno, regente do MC (governo), debilitado no FC. Também o Sol, símbolo universal do governo está no FC. Estavam assim presentes dois indicadores de “queda” do poder ou do governo.

O eclipse da Lua a 4 de Maio foi provavelmente o gatilho de todo este processo. Nessa noite a Lua ergueu-se eclipsada, sinal de que alguma mudança aconteceria em breve. Este eclipse fez oposição à Lua do horóscopo de S. Mamede (que neste mapa rege o MC), pelo que seriam de esperar alterações no governo.

Em meados de Julho subia ao poder um novo governo, chefiado por Santana Lopes. A situação foi muito controversa e a nova administração ficou “à experiência”.

Uma nova “queda”

A 30 de Novembro, depois de muita discussão e crítica, foi anunciada a dissolução da Assembleia. Já desde meados do mês que se falava de instabilidade na coligação governativa.

O horóscopo do governo cessante denota impulsividade e alguma “pressa” nas suas acções. Note-se que a tomada de posse ocorreu numa Lua Nova, sinal de instabilidade e “coisas escondidas”. Esta lunação está posicionada na Casa VIII, com Saturno, o que é igualmente desfavorável.
Por outro lado, o regente do ASC, Júpiter, está no MC, indicando proeminência (particularmente do líder). Contudo, por estar debilitado em Virgem, faz promessas e apresenta “facilidades” que não consegue cumprir. Júpiter recebe ainda uma quadratura de Vénus em Gémeos (também angular), o que representa uma certa superficialidade.
Mercúrio, regente do MC e símbolo do líder, faz conjunção a Marte, o que lhe confere uma postura de audácia tingida por arrogância.

A conjectura planetária

O ingresso de Balança, que precedeu a queda do executivo, mostra novamente um governo debilitado. Júpiter, regente do MC, está em detrimento em Virgem, na Casa VIII, ladeado pelo Sol e por Marte. Em adição, o Sol está em queda e Saturno, regente do ASC do ingresso, está debilitado (detrimento e cadente). Note-se que a posição de Saturno no mapa do ingresso faz conjunção ao Sol do horóscopo do governo. Aliás, a estação (trânsito) de Saturno na conjunção Sol-Lua do governo é bem representativa da queda.

É interessante realçar que todo este processo ocorre durante a passagem de Júpiter pelo ASC do mapa de S. Mamede, pelo MC do mapa do 25 de Abril e pelo Sol (regente do MC) do horóscopo da República. Também Marte em Escorpião faz uma oposição à Lua de S. Mamede, regente do MC (governo).
Outro aspecto curioso é a retrogradação de Mercúrio, que se iniciou poucas horas antes do anúncio da dissolução da Assembleia e ocorreu a poucos graus do ASC do horóscopo do 25 de Abril.

Aqui ficam destacados alguns pontos fulcrais desta situação, exemplificando a dinâmica da Astrologia Mundana. Trata-se de uma área de estudo complexa, que requer a interacção de muitos factores, sendo por isso difícil de explanar num artigo de pequenas dimensões. Para mais detalhes sobre o tema sugerimos a leitura dos nossos artigos anteriores.

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